As 5 tendências
da EuroShop para
o varejo brasileiro
QQuero compartilhar com você, de maneira bem objetiva, insights que tive e tendências observadas na minha visita à Euroshop 2026, que acontece a cada três anos, na Alemanha.
Neste ano, em particular, foi muito gratificante ver que boa parte das tendências apresentadas na feira já estavam presentes, em algum grau, nas visitas técnicas em lojas europeias.
Nas tendências que elenco abaixo, fiz questão de incluir algumas que você já pode aplicar hoje e outras que demandam análise para implantação:
Iluminação envolvente
As luminárias de LED continuam sendo protagonistas. Mas ganham eficiência energética e entregam mais luz com menos consumo.
Destaco, também, o uso da iluminação de forma mais intencional. Neste aspecto, vejo grande oportunidade para os supermercados brasileiros que, geralmente, priorizam a quantidade de lux, quantidade de luz que chega ao produto, e optam por uma iluminação geral sem pontos de destaque.
A grande tendência da iluminação é usá-la para destacar o merchandising, escolhendo corretamente as temperaturas de cor para cada categoria, garantindo alto índice de reprodução de cor, IRC, pensando em intensidades variadas e trabalhando luz e sombra para criar espaços envolventes, como no exemplo abaixo:
“Farm to Table” documentado
O conceito ‘da fazenda para a mesa’ já foi tão amplamente usado como argumento de vendas que o consumidor quer saber até que ponto isso é real.
Neste supermercado, na Alemanha, além de identificar a origem dos produtos, ele informa qual a distância percorrida da fazenda à loja e o tempo de chegada do produto, para que o conceito de frescor deixe de ser uma promessa e o cliente tenha dados reais para, de fato, entender o quão fresco é o produto.
A comunicação visual do supermercado pode ser planejada para evidenciar as entregas reais da operação. Além da comunicação visual que identifica as áreas, açougue, padaria, hortifruti, entre outras, uma grande tendência é dar um passo a mais, pensar em quais informações são relevantes para divulgar os diferenciais de cada categoria naquele momento exato da compra.
Tecnologia na gôndola
Na Euroshop deste ano, a tecnologia vem como evolução em relação ao que já foi visto em edições anteriores.
Não vi nada absolutamente disruptivo, contudo, as inovações estavam muito mais aplicáveis e operacionais.
Destaco os painéis de LED usados nas prateleiras das gôndolas, que já eram uma solução conhecida. Porém, o “touch” agora ganha força, permitindo que o cliente adapte a diagramação, podendo, por exemplo, tocar na tela e ampliá-la quando tiver dificuldade de enxergar o tamanho da letra que descreve um produto ou preço.
O LED se integra à gôndola e dispensa a utilização de réguas plásticas e porta-preços, proporcionando infinitas opções de design, integrando comunicação sobre produtos, sugestão de consumo, evidenciando oportunidades e destacando produtos em oferta.
Equipamentos com IA
Vimos equipamentos com IA integrada muito focados na eficiência operacional, como este expositor 360º que tem abastecimento por trás.
O produto vai para a frente por gravidade. Além de propiciar controle sobre o primeiro produto que entra, ser o primeiro que sai, FIFO = first in, first out, mantém o expositor sempre arrumado.
A inteligência artificial monitora a baixa dos estoques em tempo real e já avisa o funcionário que está no backoffice qual o tipo de produto e a quantidade que deve ser reposta, aumentando o grau de eficiência do colaborador e reduzindo a ruptura dos produtos.
Conceito híbrido ampliado
O conceito híbrido que estamos acostumados a ver em carros, também já utilizado para descrever operações que conjugam a experiência de compra física na loja com a digital, agora é ampliado.
O atendimento ao cliente em uma loja pode ser híbrido, parte feito por humanos e parte por robôs. Num mesmo supermercado, a carne que você compra pode ser preparada por um açougueiro, enquanto o pão quentinho assado na hora pode vir até você por um robô, sem a necessidade de humanos no atendimento da padaria.
O próprio robô pega o pão congelado, coloca no forno para assar, retirando-o diretamente para o expositor de autosserviço.
Todas essas tecnologias já existem, desde as mais complexas até as mais simples, como este robô que limpa a loja sozinho, presente, e funcionando, em várias lojas da Europa.
Os robôs podem ser multifunções. Enquanto limpam a loja, escaneiam as gôndolas identificando rupturas e notificando a necessidade de reposição, podendo, ainda, incluir telas de retail media acopladas circulando pela loja e impactando os clientes. A palavra “multifunção” descreve muitas inovações vistas este ano!
Talvez, a esta altura da leitura você esteja se perguntando: por onde começar? As opções são inúmeras, mas o que eu pude observar nas visitas técnicas é que, cada vez mais, conceitos de loja de posicionamento claro, com arquitetura pensada para integrar melhor a tecnologia, geram mais valor para os clientes. Pense nisso!